O South By Southwest, mais conhecido como SXSW, maior festival de inovação, tecnologia e criatividade do mundo, finalizou sua edição de 2025 com uma lista de tendências para profissionais e empresas ficarem de olho. Além das conferências e palestras, o evento divulgou o relatório Tech Trends com mil páginas repletas de informações que afetam o futuro de todos os setores do mercado.
Rafael Ataide, diretor de Data & Tech da Adtail e pós-graduado em Ciência de Dados e Inteligência Artificial pela PUCRS, examinou o conteúdo para resumir, de maneira rápida e descomplicada, o que há de mais importante entre as trends do marketing. “É importante observar o cenário de todas as grandes indústrias, pois transformações que afetam a sociedade naturalmente mudam comportamentos de consumo. Já as mudanças que atingem diretamente o marketing exigem atenção agora mesmo — afinal, as tendências só se concretizam quando agimos”, comenta.
De forma geral, o evento girou em torno de temas como inteligência artificial, robótica, computação quântica e movimentos de alto impacto como tecnologias voltadas para apaziguar a crise climática. Dos insights mais amplos até os mais específicos, Rafael explica para o que os profissionais do marketing devem se preparar.
LAM: do texto para a ação
“As IAs que ganharam popularidade recentemente são modelos de linguagem, chamados Large Language Models, ou LLMs. Sua atuação toda é centralizada na produção de texto. Agora, começam a surgir os LAMs: Large Action Models. Ou seja, veremos IAs que não apenas se comunicam, mas que ativamente realizam ações”, explica o especialista.
O relatório da SXSW destaca o LAM da Microsoft, que está sendo construído com uma base de dados de 76 mil combinações de plano-e-tarefa. O objetivo é que a ferramenta saiba o que fazer em determinados cenários e então automatize essas atividades. A previsão é que, até 2030, mais de 125 bilhões de dispositivos conectados gerem dados comportamentais contínuos, o que vai alimentar cada vez mais a capacidade dos LAMs de aprender e agir de forma autônoma.
O fim do SEO?
A maior parte das pessoas já percebeu que o espaço tão desejado no topo dos resultados de pesquisa do Google, agora, pertence à IA. Isso tem feito com que as organizações reflitam sobre suas estratégias de SEO. “As pessoas ainda buscam aprofundamento em páginas completas, mas é inevitável que conteúdos rasos e superficiais deixem de gerar cliques, uma vez que a inteligência artificial providencia as respostas facilmente”, aponta Rafael.
Além de focar na criação de conteúdos personalizados e completos, é importante também entender a mudança na maneira como as pessoas pesquisam. Com o avanço no uso de ferramentas como ChatGPT, usuários passam a trocar as palavras-chaves por frases maiores, inclusive em tom de conversa. É um reflexo também da utilização crescente de chatbots e assistentes de voz.
Campanhas automáticas
A IA já começou a ir além do copywriting e do design: as próprias campanhas estão sendo automatizadas de ponta a ponta. Há novas plataformas gerenciando campanhas desde a ideação até a análise de resultados, ajustando automaticamente os parâmetros com base em dados em tempo real.
“É provável que os grandes sistemas de marketing, como Hubspot e Salesforce, passem a oferecer essas possibilidades em breve. Os profissionais passam a criar campanhas apenas com comandos simples, como se fosse um prompt no ChatGPT”, adiciona Rafael.
Análise de comportamento
Soluções de reconhecimento facial estão se desenvolvendo rapidamente, com usos que podem ser aplicados diretamente em lojas e outros estabelecimentos, ou até mesmo em calls online. São tecnologias que podem avaliar expressões faciais minuciosamente, identificando o engajamento real dos consumidores em tempo real.
MoodMe e MorphCast são alguns exemplos de ferramentas que fazem essa análise. Também há soluções como Viso Suite, que rastreia padrões de comportamento como tempo de espera e fluxo de clientes. “Essas possibilidades podem mudar significativamente o marketing. Contudo, elas também geram debates sobre privacidade de dados. A União Europeia já baniu a criação de bases de dados a partir de reconhecimento facial, seja ele tirado de câmeras de segurança ou da internet. Vamos observar como os regulamentos e as novas tecnologias vão encontrar equilíbrio daqui para frente, mas certamente veremos mais sobre o assunto em breve”, conclui Rafael Ataide.