O avanço do recommerce e dos leilões digitais deixou de ser um movimento periférico e passou a refletir uma mudança estrutural na forma como consumidores e empresas compram, vendem e gerenciam ativos. No Brasil, o fenômeno ganha força em um cenário de consumo mais racional e de busca crescente por eficiência financeira, ampliando o papel dos mercados secundários dentro da economia formal.
Dados da Fact.MR indicam que o mercado global de produtos de segunda mão deve saltar de cerca de US$ 186 bilhões em 2024 para aproximadamente US$ 493 bilhões até 2034, com taxa média anual de crescimento próxima de 10%.
Esse ritmo coloca o setor entre os de maior expansão dentro do varejo global, impulsionado por três vetores principais:
- pressão econômica e busca por menor custo total de aquisição
- avanço da agenda ESG e economia circular
- digitalização do consumo e maior confiança em plataformas online
No Brasil, o movimento ganha tração à medida que o consumidor se torna mais planejado e sensível a preço. Pesquisa da MindMiners mostra que 82% das compras na Black Friday 2025 foram planejadas e 74% dos consumidores monitoraram preços antes da compra, reforçando a migração para decisões mais racionais de consumo.
Mercado secundário deixa de ser alternativa e passa a ser infraestrutura econômica
Globalmente, o recommerce reflete uma mudança estrutural no ciclo de vida dos produtos. Itens deixam de ser descartados rapidamente e passam a circular mais tempo na economia, reduzindo custo total para consumidores e aumentando eficiência de capital para empresas.
Na prática, o mercado secundário passa a operar como uma camada complementar ao varejo tradicional:
- consumidores ampliam acesso a bens duráveis com menor custo total
- empresas monetizam ativos ociosos e reduzem imobilização patrimonial
Esse movimento ganha relevância especialmente em ambientes de juros mais altos e maior disciplina financeira corporativa.
Digitalização acelera adoção de leilões online no Brasil
A consolidação do e-commerce ampliou a base potencial de usuários de recommerce e leilões digitais no país. Ao mesmo tempo, cresce a demanda por transparência na formação de preços e por ambientes com histórico rastreável de transações.
Nesse cenário, plataformas como a Kwara vêm ampliando a conexão entre empresas que precisam vender ativos fora do core business e compradores interessados em adquirir bens com melhor relação custo-benefício, tanto no mercado B2B quanto no B2C.
Segundo o CEO da companhia, Thiago Da Mata, o movimento reflete uma mudança estrutural na lógica de consumo e gestão de ativos. “O consumidor brasileiro passou a ser mais criterioso sobre onde e como investe seu dinheiro. O mercado de segunda mão e os leilões digitais ganham força ao oferecer economia, transparência e previsibilidade sobre o valor real dos produtos.”
Empresas passam a tratar equipamentos como ativos circulantes
No ambiente corporativo, o recommerce ganha papel estratégico. Equipamentos de tecnologia, mobiliário, máquinas industriais e estruturas operacionais passam a ser geridos como ativos circulantes, reduzindo a imobilização de capital e aumentando a liquidez.
O movimento acompanha:
- ciclos mais curtos de atualização tecnológica
- maior pressão por eficiência operacional
- necessidade de otimização de CAPEX
Mercado secundário se consolida como pilar da economia digital e circular
A aceleração do recommerce indica uma transformação estrutural no consumo global. Revenda, leilões digitais e marketplaces de ativos deixam de ser canais alternativos e passam a operar como parte permanente da infraestrutura econômica.
Mais do que competir diretamente com o varejo tradicional, o mercado secundário amplia a circulação de bens já produzidos e reduz a necessidade de reposição via produção nova — conectando eficiência financeira, tecnologia e economia circular.
O resultado é a consolidação de um ecossistema em que a circulação de ativos passa a ser contínua, reforçando o papel do mercado secundário como componente estrutural da economia digital.
O avanço do recommerce e dos leilões digitais deixou de ser um movimento periférico e passou a refletir uma mudança estrutural na forma como consumidores e empresas compram, vendem e gerenciam ativos. No Brasil, o fenômeno ganha força em um cenário de consumo mais racional e de busca crescente por eficiência financeira, ampliando o papel dos mercados secundários dentro da economia formal.


