A adolescência é uma fase marcada por descobertas, formação de identidade e vulnerabilidades emocionais, especialmente sob o olhar constante das redes sociais. A série Adolescência, da Netflix, traz esse retrato com sensibilidade ao mostrar os desafios enfrentados por jovens diante da superexposição e da pressão digital.
Com as redes sociais tão em pauta, uma merece particular atenção: o WhatsApp, consolidado como a principal ferramenta de comunicação no Brasil, com aproximadamente 169 milhões de usuários ativos. No ano passado, quando a IA da Meta chegou ao mensageiro, veio também um novo alerta: como garantir um uso seguro e consciente da tecnologia em um ambiente tão sensível, especialmente para crianças e adolescentes?
“A IA da Meta é capaz de responder a perguntas, dar recomendações, pesquisar notícias sobre assuntos do nosso interesse na web sem sair do app e gerar imagens e pequenos gifs para compartilhamento”, explica Pierre dos Santos, Analista de IA da Leste.
Do ponto de vista da infraestrutura digital, Lucas Rodrigues, gerente de comunicação da Leste, alerta que a exposição desmedida de adolescentes nas redes é agravada por perfis abertos e falta de configurações de privacidade. “Perfis abertos, sem filtros ou configurações de privacidade, deixam esses jovens mais expostos a abordagens indesejadas, golpes, conteúdo impróprio e até a práticas de manipulação emocional”, diz ele.
Ele reforça que o cuidado começa antes mesmo de abrir o aplicativo: “Crianças e adolescentes ainda não têm o repertório necessário para lidar com tudo que a internet oferece. É por isso que garantir uma base segura, com redes bem configuradas, dispositivos atualizados e privacidade ativada, não é exagero, é cuidado”.
Mocinha ou vilã? Depende do uso
Mesmo que a IA não tenha acesso a conversas particulares no WhatsApp e os dados dos usuários continuem protegidos pela criptografia do mensageiro, de acordo com a documentação da IA, as mensagens compartilhadas com a ferramenta podem ser usadas para fornecer respostas relevantes para você ou para melhorar essa tecnologia. “Portanto, não envie mensagens contendo informações que você não quer compartilhar com a IA. Ao menos, podemos deletar as mensagens enviadas para a IA digitando /reset-all-ais na conversa”, adverte o analista.
Pierre também diz que a IA é uma ferramenta poderosa que pode ser últil em vários contextos. No entanto, é essencial usar com responsabilidade e cuidado, sempre pensando na segurança e privacidade dos dados pessoais. Para isso, ele compartilha algumas dicas básicas, porém valiosas, especialmente para ensinar às crianças que estão começando a ter contato com a tecnologia:
- Use a IA como uma ferramenta auxiliar, não como um substituto para o pensamento crítico;
- Utilize a IA para tarefas que você considera seguras e sem risco à sua privacidade, evitando compartilhar informações pessoais ou confidenciais com a IA na conversa;
- Evite usar a IA para tomar decisões importantes;
- Pesquise apenas sobre temas de interesse geral, evitando assuntos sensíveis ou controversos.